Sob o lema “Responsabilidade Cívica e Direitos Humanos; Pilares da Democracia num mundo interdependente”. A ADDHU – Associação de Defesa do Direitos Humanos – levou a efeito no passado dia 7 de Outubro, no Auditório 1 da Universidade Lusíada de Lisboa, uma Conferência, que contou com a presença de ilustres oradores e a participação de algumas dezenas de pessoas – na sua grande maioria estudantes universitários – cujos interesses estão de alguma forma ligados à luta por esta causa.
Imaginados pela Presidente e fundadora da ADDHU, ONGD portuguesa, Dra Laura Vasconcellos, foram criados três painéis subordinados a diversos temas ligados à problemática dos Direitos Humanos nas suas mais diversas vertentes ficando a sessão de abertura a cargo, entre outros do Dr. Diamantino Durão – Universidade Lusíada - e do Sr. Embaixador António Monteiro – MNE Paris – que centrou a sua interessante intervenção na passagem dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
A Dra Laura Vasconcellos iniciou os trabalhos destacando a vital importância do envolvimento da sociedade civil e do cidadão comum nas questões que se prendem com a democracia e os direitos humanos, focando o aspecto de que qualquer cidadão tem o poder e o direito de intervir em situações em que os seus direitos ou os direitos dos outros sejam violados, citando, a propósito da responsabilidade que todo o cidadão deve ter relativamente aos outros, a Prémio Nobel da Paz, em prisão domiciliária há mais de 17 anos, Aung San Suu Kyi que na Birmânia persiste numa forma heróica de resistência pacífica ao regime opressor que dirige, mediante brutal ditadura militar,os destinos daquele país. Terminando a sua intervenção relembrou como a opinião pública e as manifestações dos cidadãos americanos determinaram a retirada das tropas americanas do Vietname e com isso o fim de uma guerra sem sentido.

A Drª. Sondra Myers, da Universidade de Scraton, Estados Unidos, – estudiosa de ciências ligadas a estudos de filosofia e democracia, sua verdadeira paixão – moderou um painel em que o tema foram aspectos da Interdependência Global e opções para um futuro promissor, onde se destacou, entre outras, a intervenção da Drª. Suzana Margarida Ramos, Vice-Presidente do Instituto Português da Juventude, cujas ideias de interacção com os jovens transmitiram a todos uma mensagem de esperança nesse mesmo futuro.
António Rebelo de Sousa, foi o moderador do painel seguinte, no qual a problemática ligada ao Papel desempenhado pelo Cidadão comum e o tão propalado mercado global, foram objecto de análise pelo Dr. Mário Caldeira Dias – Observatório de Emprego e Formação Profissional – e ainda pelo Dr. António Torres (IPAD – Lisboa) que falou sobre. o papel das ONG's no processo do Desenvolvimento.
Aguardado por muitos, o derradeiro painel teve o condão de apresentar como oradores, três destacadas personalidades que desenvolveram o tema “Divergências e Contestação Pacífica” ; o Dr. Jack DuVall, presidente do Institut on Non Violent Conflict, de Washington, Estados Unidos, falou dos pioneiros da luta e oposição pacífica, da questão da desobediência civil, como formas de pressão por parte do cidadão comum em fazer valer os seus direitos e aspirações junto dos governos e instituições. Entre os exemplos que deu, destacaram-se as figuras de Martin Luther-King, Mahatma Ganhdi.
Os seus ensinamentos e o seu legado, foram, segundo o Dr. DuVall, muito importantes para resolução de conflitos como os que “eliminaram” ao fim de algum tempo, ditadores como por exemplo Slobodan Milozevic, ou Ferdinand Marcus.
Ainda que não concordando totalmente com as ideias de Dr. Duvall, o Dr. Armando Marques Guedes (Universidade Nova de Lisboa), focou aspectos ligados aos perigos e facilidades proporcionadas pela comunicação global, apontando alguns aspectos que deixaram estupefacta parte da assistência e mesmo os congressistas, que talvez nunca tivessem pensado nesta vertente tão importante do problema.
Para terminar – não sem antes ter ocorrido um interessante debate de ideias - a Dra. Teresa Tito de Morais (Conselho Português de Refugiados) abordou o tema na vertente que mais liga a associação que dirige, ao problema dos Direitos Humanos e o Dr. José Francisco Pavia, da Universidade Lusíada, falou da relação existente entre os estados democráticos e a propensão para que, nesses estados, se manifeste uma ausência – ou quase - de conflitos internos e externos, ao contrário do que acontece nos regimes ditatoriais.
Como conclusões finais, ficaram reforçados todos os aspectos que nortearam a organização desta conferência, alertando-se a sociedade para a necessidade de haver um elevado grau de envolvimento cívico, para que se consiga cada vez mais uma resolução não-violenta dos conflitos com que nos deparamos a cada momento, sem que essa mesma resolução não seja condicionada pelas políticas públicas locais, nacionais ou internacionais.
O papel central dos cidadãos no desenvolvimento e funcionamento pleno da democracia, que engloba todos os aspectos abordados na Conferência organizada pela ADDHU, é talvez a ideia mais merecedora de atenção por parte dos responsáveis pelos países verdadeiramente interessados na Defesa dos Direitos Humanos.
LISBOA 7 DE OUTUBRO DE 2008 O GABINETE DE IMPRENSA
Mais informações e fotos em:
Portal ADDHU www.addhu.org
Afonso Pereira – info@addhu.org | tel: 210 412 074